Autoridades Russas Acusam Jornalista de Auxiliar Ataques Cibernéticos Contra a Rússia
Autoridades russas detiveram um ex-jornalista freelancer da **Radio Free Europe**, acusando-o de traição por supostamente fornecer informações à Ucrânia que facilitaram ataques cibernéticos contra alvos russos. O **Serviço Federal de Segurança (FSB)** alega que o jornalista compartilhou dados sobre infraestrutura crítica e uma publicação local que cobria a guerra, os quais foram então usados para auxiliar operações cibernéticas.
Autoridades russas detiveram um ex-jornalista freelancer da Radio Free Europe sob acusações de traição, alegando que ele passou informações à Ucrânia que supostamente auxiliaram ataques cibernéticos contra alvos russos, disse o **Serviço Federal de Segurança (FSB)** do país na quinta-feira.
Em uma [declaração](https://tass.ru/proisshestviya/27051473) à mídia estatal, o FSB disse que o suspeito ingressou em um canal do **Telegram** controlado pelo Serviço de Segurança da Ucrânia (**SBU**) e passou informações sobre uma publicação impressa local que cobria a guerra da Rússia na Ucrânia, bem como dados sobre uma instalação de infraestrutura crítica na região. As autoridades disseram que as informações foram usadas para auxiliar ataques cibernéticos.
O suspeito foi colocado em detenção pré-julgamento após oficiais de segurança revistarem sua casa e apreenderem equipamentos de computador e dispositivos de comunicação que, segundo o FSB, continham evidências de atividades “voltadas contra a segurança da Rússia”.
O FSB não nomeou o detido. No entanto, o veículo independente russo 7x7 [relatou](https://t.me/horizontal_russia/54352) que o caso provavelmente envolve Alexander Andreyev, de 65 anos, um jornalista da região de Zabaykalsky que trabalhou com vários veículos de mídia locais e foi colaborador da Radio Free Europe no início dos anos 2010.
Serviços de segurança russos [alegaram](https://iz.ru/2075585/2026-04-09/v-zabaikale-zaderzhali-za-gosizmenu-eks-korrespondenta-radio-svobodnaia-evropa?ysclid=mnr4kqbuar70784053) que o suspeito cooperou com o que as autoridades descreveram como “organizações de direitos humanos anti-russas” e, após o início da guerra com a Ucrânia, “assumiu uma posição claramente pró-ucraniana”.
A Radio Free Europe não comentou publicamente a detenção.
Em 2020, o Ministério da Justiça da Rússia designou a **Radio Liberty** como “agente estrangeiro”, e em 2025 promotores declararam o veículo uma “organização indesejável”, proibindo efetivamente suas atividades na Rússia. A Radio Free Europe/Radio Liberty, uma emissora financiada pelo estado americano, foi originalmente fundada com foco nos estados satélites soviéticos.
Também na quinta-feira, serviços de segurança russos revistaram a redação do **Novaya Gazeta** em Moscou, disse o jornal em uma [declaração](https://novayagazeta.eu/articles/2026/04/09/russian-security-forces-raid-novaya-gazeta-office-in-moscow-news). As autoridades não divulgaram o motivo da busca.
Uma fonte da aplicação da lei citada pela agência de notícias estatal RIA Novosti [disse](https://t.me/rian_ru/336696) que a operação estava ligada a uma investigação sobre o uso ilegal de dados pessoais. Outra fonte [disse](https://tass.ru/obschestvo/27055631) à agência TASS que investigadores estavam apurando se o Novaya Gazeta tinha laços com o **Novaya Gazeta Europe** — um veículo designado como “indesejável” na Rússia — e o Comitê Anti-Guerra da Rússia, que Moscou rotulou como organização terrorista.
## Olhos no Telegram
O caso da Radio Free Europe é o mais recente em uma série de investigações criminais ligadas a atividades no aplicativo de mensagens Telegram.
No início deste mês, forças de segurança russas na cidade ocupada de Sevastopol [detiveram](https://zmina.info/ru/news-ru/v-sevastopole-okkupaczionnye-siloviki-zaderzhali-muzhchinu-iz-za-soobshhenij-v-telegram/) um residente suspeito de fazer supostas incitações ao terrorismo e extremismo através da plataforma.
Desde fevereiro, autoridades russas [abriram](https://novayagazeta.eu/articles/2026/04/05/dela-za-zvezdy) pelo menos três casos criminais ligados ao recurso de moeda virtual do Telegram, **Telegram Stars**, que, segundo investigadores, foi usado para apoiar financeiramente organizações banidas na Rússia, incluindo a Legião de Liberdade da Rússia — uma unidade de combatentes russos alinhados com forças ucranianas.
Em outro caso em novembro passado, autoridades russas [prenderam](https://therecord.media/russia-arrests-tech-entrepreneur-treason) um empreendedor de tecnologia e especialista em cibersegurança de 21 anos em Moscou sob acusações de traição após ele criticar a legislação anti-cibercrime do governo e um aplicativo de mensagens apoiado pelo estado conhecido como **Max** em seu canal do Telegram.
Oficiais russos têm buscado cada vez mais restringir o Telegram, que continua amplamente utilizado no país. O fundador do Telegram, **Pavel Durov**, [disse](https://t.me/durov/477) na semana passada que, apesar das tentativas do Kremlin de bloquear ou limitar o serviço, cerca de 65 milhões de russos continuam a usar o aplicativo diariamente, muitas vezes através de redes privadas virtuais.
“A nação inteira está agora mobilizada para contornar essas restrições absurdas”, disse Durov em um comunicado. “Da nossa parte, continuaremos a nos adaptar — tornando o tráfego do Telegram mais difícil de detectar e bloquear.”

