Botnet Glassworm Desmantelada: Pesquisadores Desativam Infraestrutura Resiliente de C2 Voltada para Desenvolvedores
A botnet **Glassworm**, conhecida por mirar desenvolvedores através de ataques à cadeia de suprimentos de software, foi desmantelada. Um esforço coordenado pela **CrowdStrike**, **Google** e **The Shadowserver Foundation** desativou sua infraestrutura resiliente de comando e controle (C2) que dependia da blockchain **Solana**, da rede **BitTorrent** DHT e de outros métodos não convencionais.

As campanhas da **Glassworm** estão em andamento desde outubro de 2025, inicialmente visando desenvolvedores com extensões maliciosas para **OpenVSX** e **Microsoft VS Code**. Essas extensões foram projetadas para roubar carteiras de criptomoedas e credenciais de desenvolvedores. Os ataques posteriormente se expandiram para repositórios do **GitHub** e pacotes **npm**, impactando mais de 400 artefatos de software em uma campanha durante março.
Em um ataque recente, operadores da **Glassworm** plantaram dezenas de extensões dormentes no **OpenVSX** que ativariam seus componentes maliciosos após uma atualização.
## Infraestrutura Resiliente de C2
Uma das razões pelas quais a **Glassworm** tem sido tão persistente é sua infraestrutura de C2. A botnet utilizava canais de comunicação não tradicionais, tornando-a excepcionalmente difícil de desativar.
"A combinação de blockchain, peer-to-peer e serviços web legítimos como camadas de resolução foi projetada para ser resiliente contra desativações — uma frente dinâmica protegendo os servidores C2 reais por trás de múltiplas camadas de indireção", observou a **CrowdStrike**.
Pesquisadores enfatizaram que os operadores da botnet construíram especificamente sua infraestrutura para resiliência. A desativação exigiu um ataque simultâneo a todos os quatro canais de C2:
1. Blockchain **Solana**: Endereços de servidores C2 eram codificados nos campos de memo de transações da blockchain, criando um "dead drop" imutável e publicamente acessível.
2. Tabela de Hash Distribuída (DHT) do **BitTorrent**: O **GlasswormRAT** consultava a rede peer-to-peer do **BitTorrent** em busca de dados de configuração armazenados contra chaves públicas codificadas.
3. Serviço de calendário público: A **Glassworm** usava títulos de eventos do **Google Calendar** como locais de "dead drop" para caminhos C2 codificados em Base64.
4. Conexões diretas de servidor: Infraestrutura C2 tradicional hospedada em provedores de VPS comerciais servia como o mecanismo final de entrega de payload.

*Arquitetura de comando e controle da Glassworm
fonte: CrowdStrike*
Devido a essa arquitetura, a interrupção de um único canal teria tido um impacto mínimo, pois as comunicações poderiam simplesmente mudar para outro canal, permitindo que o ator de ameaça mantivesse o controle.
## Desativação Coordenada
"Todos os quatro canais tiveram que ser interrompidos simultaneamente em um esforço coordenado. Como resultado, máquinas infectadas não podem mais receber novas instruções ou payloads", afirmou a **CrowdStrike**.
Após a desativação, todas as máquinas comprometidas no ataque da **Glassworm** agora estão fazendo beacon para o endereço IP 164.92.88[.]210, que é operado pela **CrowdStrike**.
Organizações são aconselhadas a procurar por este indicador de rede e tomar ações imediatas de remediação. Pesquisadores também publicaram regras YARA para ajudar a confirmar infecções em hosts suspeitos.
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