Comitê do Senado Avança Lei GUARD: Protegendo Crianças ou Restringindo Excessivamente o Acesso à IA?
O Comitê Judiciário do Senado avançou com a Lei GUARD, um projeto de lei destinado a impedir que empresas de IA permitam que crianças usem companheiros de IA. Enquanto os defensores argumentam que protege as crianças de interações prejudiciais, os críticos levantam preocupações sobre uma linguagem excessivamente ampla que poderia restringir o acesso a ferramentas de IA benéficas.
O Comitê Judiciário do Senado, na quinta-feira, avançou com um projeto de lei que proibiria as empresas de inteligência artificial de permitir que crianças usem companheiros de IA.
### Detalhes da Lei GUARD
O projeto de lei, conhecido como **Lei GUARD**, exige que chatbots de IA informem usuários de todas as idades que eles não são humanos e não possuem credenciais profissionais. Também torna crime para companheiros de IA solicitarem intencionalmente conteúdo sexual de crianças ou produzi-lo.
A legislação, introduzida pelo principal patrocinador, o Senador **Josh Hawley** (R-MO), foi marcada pelo comitê em uma votação unânime e bipartidária.
### Preocupações com Linguagem Ampla
Grupos de direitos civis e defensores da privacidade criticaram o projeto de lei por incluir o que eles chamam de linguagem excessivamente ampla que poderia impedir as crianças de usar chatbots para ajuda com o dever de casa ou para interagir com representantes de atendimento ao cliente.
A Lei GUARD exige a verificação de idade para todos os usuários da internet, que serão solicitados a verificar suas idades com um sistema de "verificação de idade razoável" antes de interagir com um companheiro de IA. O projeto de lei também exige verificação contínua, o que significa que os usuários terão que apresentar ID, identificadores biométricos ou dados financeiros toda vez que conversarem com um companheiro de IA.
O projeto de lei define um chatbot de IA de forma ampla, cobrindo qualquer sistema que forneça respostas que não sejam "totalmente predeterminadas" pelos desenvolvedores.
### Impacto Potencial em Empresas e Usuários
Empresas que violarem a lei podem ser multadas em até US$ 100.000 por violação. Libertários civis dizem que as multas pesadas farão com que as empresas exagerem na correção e restrinjam menores de usar até mesmo ferramentas básicas de IA, incluindo mecanismos de busca.
"Diante da incerteza legal e de responsabilidade séria, as empresas não analisarão pequenas distinções. Elas restringirão o acesso, limitarão recursos ou bloquearão menores completamente", disse a **Electronic Frontier Foundation** em uma postagem de blog na segunda-feira.
"Jovens – e todas as pessoas – merecem proteção contra produtos genuinamente prejudiciais. Mas este projeto de lei não faz isso. Ele troca privacidade, acesso e tecnologia útil em troca de um sistema bruto que erra o alvo."
### Argumentos a Favor do Projeto
Senadores por trás do projeto de lei dizem que ele aborda a séria ameaça que os chatbots representam para as crianças. Eles argumentam que os chatbots facilitaram trocas sexuais com menores e encorajaram alguns a cometer suicídio.
Em fevereiro de 2024, Sewell Setzer, de 14 anos, tirou a própria vida após passar várias horas por dia interagindo com um chatbot que lhe disse para "vir para casa" em sua última conversa.
Em abril de 2025, Adam Raine, de 16 anos, cometeu suicídio após interagir obsessivamente com o **ChatGPT**. Os pais de Raine dizem que o chatbot discutiu métodos de suicídio com ele.