EFF Defende Imunidade da Seção 230 para Lojas de Aplicativos em Casos de Jogos de Cassino Sociais
A **Electronic Frontier Foundation (EFF)** apresentou um parecer amicus curiae ao Tribunal de Apelações do Nono Circuito dos EUA, argumentando que as lojas de aplicativos da **Apple**, **Google** e **Facebook** devem manter a imunidade da Seção 230 mesmo ao processar pagamentos por itens virtuais em aplicativos de "cassino social". A EFF sustenta que a remoção dessa imunidade levaria a um aumento da censura e prejudicaria a internet aberta.
A **Electronic Frontier Foundation (EFF)** apresentou um parecer amicus curiae pela segunda vez ao Tribunal de Apelações do Nono Circuito dos EUA, argumentando que permitir que casos contra as lojas de aplicativos da **Apple**, **Google** e **Facebook** prossigam pode levar a uma maior censura da fala online dos usuários.
### Imunidade da Seção 230 em Jogo
O parecer argumenta que as lojas de aplicativos não deveriam perder a **imunidade da Seção 230** por hospedar aplicativos de "cassino social" simplesmente porque processam pagamentos por fichas virtuais dentro desses aplicativos. De acordo com a EFF, isso poderia forçar todas as plataformas que facilitam transações financeiras para conteúdo online a censurar o conteúdo do usuário para mitigar a exposição legal.
Aplicativos de cassino social são jogos online onde os usuários compram fichas virtuais com dinheiro real, mas não podem sacar quaisquer ganhos. As ações judiciais contra **Apple**, **Google** e **Facebook** foram iniciadas por autores que gastaram quantias significativas nessas fichas virtuais e alegadamente se tornaram viciados nos jogos, alegando violações de várias leis estaduais de jogos de azar.
A questão central gira em torno da **Seção 230**, que concede imunidade às plataformas online contra responsabilidade por conteúdo prejudicial criado por terceiros. Neste caso, o conteúdo são os aplicativos de cassino social e as fichas virtuais compradas dentro deles.
A Seção 230 tem sido um pilar da lei da internet desde 1996, fornecendo proteção legal para intermediários da internet e permitindo que os usuários publiquem conteúdo de terceiros. Isso permite uma ampla liberdade de expressão online, acesso à informação e comércio sem exigir recursos financeiros extensos ou conhecimento técnico.
### Decisão da Primeira Instância Desafiada
A primeira instância decidiu que as empresas não possuem imunidade da Seção 230 porque permitem que aplicativos de cassino social usem seus serviços de processamento de pagamentos para compras de fichas virtuais dentro do aplicativo.
O parecer da EFF insta o Nono Circuito a reverter essa decisão, afirmando que a Seção 230 *se aplica* às lojas de aplicativos, mesmo quando elas processam pagamentos por fichas virtuais. A organização argumenta que o Congresso não fez distinção entre hospedar conteúdo de terceiros e processar pagamentos por esse conteúdo, e o tribunal não deveria criar uma. Ambas as atividades são consideradas escolhas editoriais protegidas pela Seção 230.
### Implicações Mais Amplas
A EFF adverte que expor intermediários da internet a responsabilidade potencial por facilitar transações financeiras relacionadas a conteúdo ilegal de usuários teria implicações de longo alcance. Plataformas que facilitam transações financeiras para conteúdo de terceiros seriam obrigadas a censurar qualquer fala do usuário que pudesse potencialmente expô-las a risco legal. Isso prejudicaria significativamente a internet aberta, limitando a capacidade de indivíduos de se comunicarem e acessarem informações livremente.
Os autores sugerem que as lojas de aplicativos poderiam manter a imunidade da Seção 230 simplesmente recusando-se a processar compras de fichas virtuais dentro do aplicativo. No entanto, a EFF aponta que muitas outras plataformas não têm essa opção. Por exemplo, a **Etsy** facilita a compra de arte virtual, e o **Patreon** permite o apoio a artistas por meio de assinaturas. Essas plataformas poderiam perder a imunidade da Seção 230 e enfrentar responsabilidade potencial simplesmente por processar pagamentos por conteúdo de usuário considerado ilegal.
A EFF enfatiza que as lojas de aplicativos devem ser protegidas pela Seção 230, uma lei projetada para salvaguardar a liberdade de expressão dos americanos online, protegendo os intermediários em que eles confiam, independentemente de seu papel como processadores de pagamentos.