EFF Expõe Excesso de Sigilo em Caso de Patente Wi-Fi e Exige Transparência em Registros Judiciais
A **Electronic Frontier Foundation (EFF)** descobriu um caso no Distrito Leste do Texas onde documentos judiciais críticos relacionados à tecnologia Wi-Fi 6 foram indevidamente sigilados. A EFF está pressionando pelo acesso público a esses registros, argumentando que tal sigilo mina o direito do público de observar os procedimentos judiciais e responsabilizar as partes litigantes.
Tribunais não são fóruns privados para disputas comerciais; são instituições públicas, e seus registros pertencem ao público. No entanto, os tribunais frequentemente permitem o sigilo excessivo, especialmente em casos de patentes.
### EFF Descobre Informações Sigiladas no Caso *Wilus*
A **EFF** descobriu recentemente mais um exemplo disso no Distrito Leste do Texas, onde documentos judiciais importantes sobre a tecnologia Wi-Fi usada por bilhões de pessoas todos os dias foram ocultados da vista pública. O caso, *Wilus Institute of Standards and Technology Inc. v. HP Inc.*, destaca um problema recorrente de transparência na litigância de patentes.
**Wilus** afirma possuir patentes essenciais padrão (SEPs) relacionadas ao Wi-Fi 6 — tecnologia incorporada em dispositivos do dia a dia. Wilus processou **Samsung** e **HP** por infração de patente. A HP argumentou que Wilus não ofereceu licenças em termos Justos, Razoáveis e Não Discriminatórios (FRAND).
Ao revisar o processo, a EFF descobriu que muitos documentos foram indevidamente sigilados sob uma ordem de proteção leniente, sem a justificativa necessária. Existe uma presunção de acesso público aos documentos judiciais, portanto, as partes litigantes devem apresentar um pedido de sigilo e demonstrar razões convincentes para a confidencialidade.
No Distrito Leste do Texas, esse padrão muitas vezes não é aplicado. Em vez disso, os juízes distritais permitem que as partes litigantes ocultem informações usando justificativas genéricas em uma ordem de proteção, sem explicar por que documentos específicos ou partes de documentos devem ser ocultados.
No caso *Wilus*, dois conjuntos de documentos se destacaram:
* Primeiro, a Samsung solicitou o arquivamento do caso, argumentando que Wilus pode não ter obtido as patentes validamente. A oposição de Wilus a essa moção foi apresentada *completamente sob sigilo*, sem uma versão pública expurgada disponível. Essa argumentação provavelmente aborda os acordos de cessão de patentes que sustentam o modelo de negócios de Wilus.
* Segundo, os documentos relacionados à argumentação suplementar da HP sobre obrigações FRAND também foram sigilados integralmente, sem versões expurgadas disponíveis ao público. Se Wilus está vinculada a FRAND tem implicações muito além deste caso.
Em ambas as instâncias, o público foi excluído de argumentos que afetam diretamente como as tecnologias essenciais são licenciadas e controladas.
### EFF Pressiona por Acesso Público
A EFF levantou essas preocupações com o advogado de Wilus e pressionou pelo acesso público aos registros sigilados. Wilus finalmente concordou em apresentar versões expurgadas de vários documentos, que agora estão disponíveis como [Números de Documento 387, 388 e 389](https://www.courtlistener.com/docket/69161107/wilus-institute-of-standards-and-technology-inc-v-hp-inc/?page=3).
Mesmo agora, essas versões expurgadas recém-apresentadas ocultam porções significativas dos argumentos das partes. O público ainda não pode ver completamente como este caso sobre tecnologias usadas diariamente está sendo litigado.
### Por Que o Acesso Público Importa
O sigilo de registros judiciais foi projetado para ser raro. Para superar a presunção de acesso público, as partes litigantes devem apresentar razões convincentes para a confidencialidade. Tribunais abertos são uma característica distintiva da democracia americana.
Alguns documentos contêm segredos comerciais ou informações comercialmente sensíveis. Mas isso não significa que as partes litigantes devam poder ocultar informações sem explicar o porquê. O Distrito Leste do Texas permite que as partes litigantes contornem a exigência de explicar o motivo.
A EFF confrontou exatamente o mesmo problema em outro caso no Distrito Leste do Texas, *Entropic v. Charter*. O mesmo padrão apareceu novamente em *Wilus*: em vez de expurgos com escopo restrito e apoiados por raciocínio específico, os documentos foram retidos integralmente.
### Tribunais Devem Aplicar o Padrão
Os tribunais, não terceiros, são responsáveis por proteger o direito de acesso do público. Isso significa aplicar o padrão de "razões convincentes". As partes que buscam sigilar informações sensíveis devem ser obrigadas a justificar cada expurgo proposto.
Cargas de trabalho pesadas não mudam a regra. O ônus administrativo não pode sobrepor direitos constitucionais e de direito comum. Registros judiciais são presumidamente públicos. Os tribunais, incluindo o Distrito Leste do Texas, devem aplicar essa presunção.
### Outros Tribunais Federais Acertam
O Distrito Leste do Texas é um caso atípico. No Distrito Norte da Califórnia, os juízes rejeitam rotineiramente pedidos de sigilo excessivos. Como a [Ordem Permanente Civil do Juiz Chhabria](https://cand.uscourts.gov/sites/default/files/standing-orders/VC-Civil-Standing-Order-2025-06-27.pdf) explica:
> [Pedidos de sigilo...] são quase sempre sem mérito. . . . Tribunais federais são pagos pelo público, e o público tem o direito de inspecionar os registros judiciais, sujeito apenas a exceções restritas.
> A parte que apresenta o documento deve fazer uma demonstração específica explicando por que cada documento que busca sigilar pode justificadamente ser sigilado . . . Referências genéricas e vagas a "dano competitivo" são quase sempre justificativa insuficiente para sigilo.
Essa abordagem reflete a lei: o sigilo deve ser com escopo restrito e justificado especificamente.
### Transparência Judicial é Fundamental
O sigilo na litigância de patentes sinaliza uma erosão mais ampla da transparência. O uso generalizado de ordens de proteção amplas no Distrito Leste do Texas é uma prática que corre o risco de se espalhar se os tribunais não aplicarem a lei.
Essas práticas permitem que partes privadas obscureçam informações sobre disputas envolvendo tecnologias que moldam a vida moderna. Isso mina um princípio central de uma sociedade livre: a transparência sobre as ações de atores poderosos.
Tribunais não são fóruns privados para disputas comerciais. São instituições públicas, e seus registros pertencem ao público.
Enquanto essas práticas continuarem, a EFF continuará defendendo a transparência e trabalhando para vindicar o direito do público de acessar os registros judiciais.