Inteligência Holandesa: China Atinge Paridade Cibernética com os EUA, Maioria dos Ataques Passa Despercebida
A agência de inteligência militar da Holanda (MIVD) relata que a China atingiu paridade cibernética com os Estados Unidos em capacidades ofensivas. Esta avaliação sugere que uma parcela significativa das operações cibernéticas chinesas visando interesses holandeses permanecem indetectadas e sem mitigação.
A **MIVD**, em seu relatório anual divulgado na terça-feira, afirmou que a China agora provavelmente está em pé de igualdade com os Estados Unidos em capacidades cibernéticas ofensivas. Esta avaliação contrasta com a avaliação de ameaças de 2025 do Escritório do Diretor de Inteligência Nacional dos EUA, que reconheceu a capacidade da China de comprometer a infraestrutura dos EUA, mas não chegou a declarar paridade.
De acordo com a MIVD, a sofisticação das operações cibernéticas de Pequim significa que elas são regularmente perdidas por agências de inteligência e defensores de cibersegurança. "A detecção, resposta e mitigação são frequentemente inadequadas contra a extensa e profissional ameaça cibernética chinesa", afirma o relatório. A agência estima que apenas uma proporção limitada das operações cibernéticas chinesas contra interesses holandeses são detectadas e, subsequentemente, mitigadas.
O relatório detalha informações anteriormente não reportadas sobre unidades de hacking do **PLA**, observando que em 2025, múltiplos componentes dentro da mesma unidade estavam competindo para encontrar vulnerabilidades em um tipo particular de dispositivo de borda (edge device). Isso se alinha com um relatório recente do Google Threat Intelligence Group, que afirmou que grupos ligados à China dobraram sua exploração de zero-day em 2025 e permanecem os usuários patrocinados pelo estado mais prolíficos de vulnerabilidades anteriormente desconhecidas.
A MIVD atribui as capacidades cibernéticas aprimoradas da China à reestruturação cibernética do PLA em 2024, que dissolveu sua Força de Apoio Estratégico e criou uma Força Autônoma de Ciberespaço. Essa reorganização permitiu que hackers chineses adaptassem continuamente suas ferramentas e infraestrutura e respondessem de forma flexível a oportunidades e circunstâncias em mudança. A agência prevê um aumento adicional nas campanhas destinadas a explorar vulnerabilidades, incluindo em dispositivos de borda como roteadores, firewalls e soluções de VPN, em 2026.
Em 2025, uma campanha de ciberespionagem chinesa rastreada como **Salt Typhoon** e **RedMike** obteve acesso a roteadores em provedores de hospedagem e serviços de internet menores na Holanda. O Ministério da Defesa holandês havia confirmado anteriormente esses ataques, embora acreditasse que os hackers não penetraram além do nível do roteador para as redes internas. A MIVD descreve as empresas de telecomunicações como alvos prioritários para hackers chineses devido às informações valiosas que podem ser obtidas delas. Em agosto de 2025, serviços holandeses se juntaram a um aviso de 13 países atribuindo a campanha a três empresas de tecnologia chinesas trabalhando em nome de Pequim.
## Abordagem "Whole of Society"
Os serviços de inteligência holandeses têm publicizado cada vez mais as tentativas de intrusão chinesas. Em fevereiro de 2024, eles revelaram que hackers chineses haviam violado uma rede compartimentada do Ministério da Defesa holandês explorando uma vulnerabilidade **FortiGate** e implantando malware chamado **COATHANGER**. Uma investigação subsequente descobriu que a mesma campanha havia infectado pelo menos 20.000 sistemas FortiGate em todo o mundo, com a MIVD alertando que as infecções permaneciam difíceis de identificar e remover.
Na época, a Ministra da Defesa holandesa, Kajsa Ollongren, enfatizou a importância de atribuir tais atividades de espionagem à China para aumentar a resiliência internacional contra esse tipo de ciberespionagem.
O relatório da MIVD ecoa outras avaliações ocidentais que descrevem as operações de inteligência da China como operando em uma "abordagem de toda a sociedade" (whole of society approach). O quadro legal de Pequim exige que todos os cidadãos, empresas e organizações chinesas cooperem com a inteligência estatal. Tal cooperação tornou-se um crime na Holanda sob a lei de espionagem alterada em 2025.
A China também está visando ativamente pesquisadores, empresas e universidades holandesas, buscando tecnologia dos setores de semicondutores, computação quântica e aeroespacial. Hackers chineses estão testando as defesas cibernéticas holandesas e aliadas por meio de grupos que visam estruturalmente a União Europeia e a OTAN, bem como outros que visam opportunisticamente redes vulneráveis.
O relatório adverte que a China agora pode integrar melhor as capacidades cibernéticas ofensivas com as operações militares, ecoando os avisos sobre **Volt Typhoon**, o grupo ligado ao PLA avaliado por oficiais dos EUA e parceiros do Five Eyes como pré-posicionando implantes na infraestrutura crítica ocidental para ativação potencial em um conflito futuro, mais provavelmente desencadeado por Taiwan. A MIVD observou separadamente que a China nunca excluiu o uso de meios militares para anexar a ilha.
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