Lei é questionada se uso de VPN retira proteções de vigilância de americanos
Um grupo de legisladores democratas está pedindo ao Diretor de Inteligência Nacional para esclarecer se americanos que usam VPNs comerciais correm o risco de serem tratados como indivíduos estrangeiros sob a lei de vigilância dos EUA, potencialmente perdendo proteções constitucionais contra espionagem governamental sem mandado. A preocupação surge da presunção das agências de inteligência de que comunicações de origem desconhecida são estrangeiras, o que poderia impactar inadvertidamente americanos que usam VPNs.
Seis legisladores democratas estão pressionando a principal autoridade de inteligência do país para divulgar publicamente se americanos que usam serviços de VPN comerciais correm o risco de serem tratados como estrangeiros sob a lei de vigilância dos Estados Unidos — uma classificação que os privaria de proteções constitucionais contra espionagem governamental sem mandado.
Em uma carta enviada na quinta-feira ao Diretor de Inteligência Nacional **Tulsi Gabbard**, os legisladores afirmam que, como as VPNs obscurecem a localização real do usuário e as agências de inteligência presumem que comunicações de origem desconhecida são estrangeiras, os americanos podem estar renunciando inadvertidamente às proteções de privacidade às quais têm direito por lei.
Várias agências federais, incluindo o **FBI**, a **National Security Agency (NSA)** e a **Federal Trade Commission (FTC)**, recomendaram que os consumidores usem VPNs para proteger sua privacidade. Mas seguir esse conselho pode custar inadvertidamente aos americanos as mesmas proteções que eles buscam.
A carta foi assinada por membros da ala progressista do Partido Democrata: os senadores Ron Wyden, Elizabeth Warren, Edward Markey e Alex Padilla, juntamente com os representantes Pramila Jayapal e Sara Jacobs.
### VPNs e a Presunção de Estrangeirismo
A preocupação se concentra em como as agências de inteligência tratam o tráfego da internet roteado através de servidores VPN comerciais, que podem estar localizados em qualquer lugar do mundo. Milhões de americanos usam esses serviços rotineiramente, seja para acessar conteúdo restrito por região, como transmissões esportivas no exterior, ou para proteger sua privacidade em redes Wi-Fi públicas. Como os servidores VPN misturam tráfego de usuários de muitos países, um único servidor — mesmo um localizado nos Estados Unidos — pode carregar comunicações de estrangeiros, potencialmente tornando-o um alvo para vigilância sob autoridades que permitem ao governo compelir secretamente serviços de provedores de serviços dos EUA.
Sob um programa de vigilância sem mandado controverso, o governo dos EUA intercepta vastas quantidades de comunicações eletrônicas pertencentes a pessoas no exterior. O programa também abrange enormes volumes de mensagens privadas pertencentes a americanos, que o FBI pode pesquisar sem mandado, embora seja autorizado a visar apenas estrangeiros no exterior.
O programa, autorizado sob a Seção 702 da Lei de Vigilância de Inteligência Estrangeira (Foreign Intelligence Surveillance Act), está programado para expirar no próximo mês e se tornou o centro de uma batalha acirrada no Congresso sobre se deve ser renovado sem reformas significativas para proteger a privacidade dos americanos.
A carta de quinta-feira aponta para diretrizes desclassificadas da comunidade de inteligência que estabelecem uma presunção padrão no cerne da preocupação dos legisladores: Sob os procedimentos de direcionamento da **NSA**, uma pessoa cuja localização é desconhecida é presumida ser uma pessoa não-americana, a menos que haja informações específicas em contrário. Procedimentos do Departamento de Defesa que regem as atividades de inteligência de sinais contêm a mesma presunção.
Serviços de VPN comerciais funcionam roteando o tráfego de internet de um usuário através de servidores operados pela empresa de VPN, que podem estar localizados em qualquer lugar do mundo. Um único servidor pode carregar tráfego de milhares de usuários simultaneamente, tudo aparecendo como se originasse do mesmo endereço IP. Para uma agência de inteligência que coleta comunicações em massa, um americano conectado a um servidor VPN em, digamos, Amsterdã, não parece diferente de um cidadão holandês.
A carta não afirma que o tráfego VPN de americanos foi coletado sob essas autoridades — essa informação seria classificada — mas pede a Gabbard que esclareça publicamente qual impacto, se houver, o uso de VPN tem nos direitos de privacidade dos americanos.
Entre os que pressionam a questão está Wyden, que, como membro do Comitê de Inteligência do Senado, tem acesso a detalhes classificados sobre como esses programas de vigilância operam e tem um histórico bem documentado de usar declarações públicas cuidadosamente redigidas para chamar a atenção para práticas de vigilância que ele não pode discutir abertamente.
### Preocupações com a Ordem Executiva 12333
A carta também levanta preocupações sobre uma segunda e mais ampla autoridade de vigilância: a Ordem Executiva 12333, uma diretiva da era Reagan que rege grande parte das operações de vigilância estrangeira da comunidade de inteligência e permite a coleta em massa de comunicações de estrangeiros com ainda menos restrições do que a Seção 702.
Enquanto a Seção 702 é uma lei com supervisão do Congresso que requer aprovação do Tribunal de Vigilância de Inteligência Estrangeira (Foreign Intelligence Surveillance Court), a vigilância sob a EO 12333 opera sob diretrizes aprovadas apenas pelo procurador-geral dos EUA.
A carta adverte que a mesma presunção de estrangeirismo se aplica a ambas as autoridades, o que significa que americanos em servidores VPN estrangeiros poderiam estar expostos não apenas à coleta direcionada sob a Seção 702, mas ao que os legisladores descrevem como "vigilância em massa e indiscriminada de comunicações de estrangeiros".
Os americanos gastam bilhões de dólares por ano em serviços de VPN comerciais, muitos oferecidos por empresas com sede no exterior que roteiam o tráfego através de servidores localizados no exterior. A carta observa que esses serviços são amplamente anunciados como ferramentas de privacidade, inclusive por elementos do próprio governo dos EUA.
Apesar da escala do mercado, a carta sugere que os consumidores não receberam nenhuma orientação significativa sobre como se proteger.
Os legisladores instam Gabbard a "esclarecer o que, se é que algo, os consumidores americanos podem fazer para garantir que recebam as proteções de privacidade às quais têm direito por lei e pela Constituição dos EUA".
*Atualizado às 12:38 ET, 26 de março de 2026: Esta notícia foi atualizada com detalhes adicionais para esclarecer o escopo da potencial vigilância abordada na carta.*