Leis de Cibercrime dos Emirados Árabes Unidos: Compartilhar Desinformação Online Pode Causar Problemas
Em tempos de crise, compartilhar informações não verificadas online pode ter sérias repercussões legais nos Emirados Árabes Unidos (EAU). Eventos recentes destacaram como capturas de tela, vídeos encaminhados e postagens em redes sociais podem facilmente se tornar assuntos criminais sob as leis de cibercrime existentes, especialmente quando espalham desinformação ou perturbam a ordem pública.
Quando os ataques de mísseis e drones iranianos contra os Emirados Árabes Unidos começaram no início deste ano, as leis de cibercrime também ganharam destaque à medida que o conflito se desenrolava no céu – e online. As autoridades anunciaram prisões ligadas a vídeos enganosos, clipes gerados por IA, filmagens ilegais e a disseminação de desinformação.
Para muitos residentes, a reação foi de surpresa: como uma captura de tela, um vídeo encaminhado ou uma postagem em rede social poderiam se tornar um assunto criminal? A resposta reside em estruturas legais que já estavam em vigor.
Em tempos normais, muitas formas de má conduta online podem acarretar penalidades sob as leis de cibercrime dos **EAU**. Mas durante crises, emergências ou desastres, os riscos aumentam consideravelmente. O Artigo 52 da lei dos EAU criminaliza o uso da internet para espalhar notícias falsas, boatos enganosos ou conteúdo contrário a anúncios oficiais, bem como material que possa perturbar a paz pública, espalhar pânico ou prejudicar a ordem pública.
Em circunstâncias normais, a pena mínima é de um ano de prisão e multa de 100.000 dirhams dos EAU. Durante epidemias, crises, emergências ou desastres, esses valores dobram para um mínimo de dois anos e 200.000 dirhams dos EAU. O conflito recente não criou uma nova lei. Ele desencadeou penalidades mais rigorosas sob uma que já existia.
O consultor jurídico **Ahmed Elnaggar**, sócio-gerente da **Elnaggar & Partners**, afirma que a justificativa para prisões relacionadas à atividade online é consistente com essa estrutura. “O conteúdo compartilhado durante emergências é avaliado não apenas por sua precisão, mas também por seu impacto potencial na estabilidade, segurança e percepção pública”, diz ele. “O que pode parecer comentário ou documentação pode, nesses contextos, ser interpretado como comunicação prejudicial ou ilegal.”
As autoridades ordenaram a prisão de réus acusados de publicar vídeos enganosos, incluindo clipes gerados por IA, e de circular material considerado prejudicial à ordem pública e à segurança. A **Polícia de Abu Dhabi** também anunciou a prisão de 375 pessoas por fotografar ilegalmente locais designados e espalhar desinformação online.
Do ponto de vista legal, diz Elnaggar, todo conteúdo de fontes não verificadas ou não oficiais durante um conflito acarreta sérios riscos. “Apenas o conteúdo emitido por autoridades públicas oficiais e aprovadas dos EAU deve ser considerado seguro para compartilhar”, afirma ele.
Muito antes do conflito recente, a estrutura de cibercrime dos EAU sempre se estendeu além de hacking, senhas roubadas e fraudes online. Sob o Decreto-Lei Federal nº 34 de 2021, ele também abrange violações de privacidade, informações falsas, uso indevido de plataformas digitais, difamação online e outras formas de conduta online prejudicial.
Para residentes, turistas, criadores e qualquer pessoa com um smartphone, a lição prática é simples: alguns hábitos online comuns podem ter implicações legais.
## Quando uma Captura de Tela Deixa de Ser Inofensiva
Capturas de tela se tornaram uma linguagem própria. Elas documentam conversas, resolvem discussões, fornecem evidências em disputas e, ocasionalmente, não servem a outro propósito além de tornar um chat em grupo brevemente mais interessante. Mas uma vez que uma troca privada é copiada e compartilhada, ela pode não ser mais tratada como privada – e a intenção nem sempre é o único fator considerado pela lei.
Elnaggar coloca de forma clara: “A lei não distingue entre publicação formal e compartilhamento informal quando o resultado é o mesmo.”
Uma captura de tela se torna legalmente problemática, diz Elnaggar, quando expõe comunicações privadas sem consentimento, distorce o contexto do que foi dito ou contribui para danos à reputação. “A lei assume responsabilidade no ponto de divulgação”, afirma Elnaggar. “Mesmo que o conteúdo tenha sido originalmente compartilhado em confiança entre duas partes, redistribuí-lo pode transformar uma troca privada em um ato de mídia regulamentado com consequências legais.”
Muitos usuários assumem que a intenção é o fator decisivo. A lei, em termos gerais, não é.
## Encaminhar Ainda Conta
Um equívoco relacionado é que apenas a pessoa que criou o conteúdo problemático corre algum risco. Que a pessoa que escreveu a mensagem, filmou o vídeo, iniciou o boato – não a pessoa que simplesmente o repassou – é a culpada. Isso não se sustenta sob a lei dos EAU.
A definição legal de atividade de mídia é ampla o suficiente para abranger não apenas os criadores originais, mas qualquer pessoa que participe da circulação de conteúdo. “Publicar e republicar são tratados da mesma forma. A responsabilidade está ligada ao próprio ato de publicação”, diz Elnaggar.