Pesquisadores Decifram Fast16: Ferramenta de Sabotagem Cibernética da Era de 2005
Pesquisadores de segurança decifraram o **Fast16**, um código misterioso datado de 2005, capaz de manipular silenciosamente softwares de cálculo e simulação. Este malware, potencialmente implantado pelos EUA ou seus aliados, representa uma forma sofisticada e inicial de sabotagem cibernética, anterior até mesmo ao **Stuxnet**.
No mundo do hacking patrocinado por estados, as operações cibernéticas variam desde ataques destrutivos do tipo "wiper" até malwares sofisticados como o **Stuxnet**. Agora, pesquisadores descobriram mais um capítulo: o **Fast16**, um malware de 21 anos capaz de adulterar softwares de pesquisa e engenharia para causar estragos de forma indetectável.
### Avanço da SentinelOne
**Vitaly Kamluk** e **Juan Andrés Guerrero-Saade**, pesquisadores da **SentinelOne**, revelaram um avanço na compreensão do **Fast16**. O propósito deste código permaneceu elusivo desde que sua existência foi revelada em um vazamento da **NSA** em 2017. Os pesquisadores agora fizeram engenharia reversa do código, datando-o de 2005 e atribuindo sua criação ao governo dos EUA ou a um aliado.
### Como o Fast16 Funciona
O **Fast16** se espalha por redes e manipula sutilmente processos de computação em softwares usados para cálculos matemáticos de alta precisão e simulações físicas. Ao alterar os resultados, ele pode causar falhas que vão desde pesquisas defeituosas até danos catastróficos.
"Ele se concentra em fazer pequenas alterações nesses cálculos para que levem a falhas — falhas muito sutis, talvez não imediatamente aparentes. Os sistemas podem se desgastar mais rápido, colapsar ou travar, e a pesquisa científica pode render conclusões incorretas, potencialmente causando sérios danos", diz **Kamluk**. Ele e **Guerrero-Saade** apresentarão suas descobertas na **Black Hat Asia** em Singapura.
### Alvos Potenciais
A análise sugere que o **Fast16** poderia adulterar softwares como o **Modelo Hidrodinâmico (MOHID)**, o software chinês de engenharia de construção **PKPM** e o **LS-DYNA**. Este último, originalmente criado no **Lawrence Livermore National Laboratory**, é usado na modelagem de vários fenômenos.
### Alvo no Irã?
Pesquisadores apontam evidências que sugerem que o **LS-DYNA** foi usado por cientistas iranianos em pesquisas relacionadas ao seu programa de armas nucleares. De acordo com o **Institute for Science and International Security**, o software pode modelar problemas de física relacionados à pesquisa de armas nucleares.
Isso levanta a possibilidade de que o **Fast16** tenha sido usado em meados dos anos 2000 para subverter as ambições nucleares do Irã, potencialmente como um predecessor do **Stuxnet**, implantado como parte do programa **Olympic Games** da **NSA** e da **Unit 8200** de Israel.
"Não é impossível que o que estamos vendo seja um predecessor inicial do Olympic Games. Ele se encaixa perfeitamente, certo?", diz **Guerrero-Saade**.
### Reescrevendo a História Cibernética
**Thomas Rid**, diretor do **Alperovitch Institute for Cybersecurity Studies** na **Johns Hopkins University**, observa que esta análise reescreve a história do hacking patrocinado por estados. "Isso significa que operações de sabotagem enganosas fazem parte do repertório cibernético desde muito antes do que pensávamos, talvez desde o início", diz **Rid**. "E também parece que elas eram muito mais furtivas do que entendíamos."
### O Vazamento do Shadow Brokers
A existência do **Fast16** veio à tona em abril de 2017, após os **Shadow Brokers** vazarem uma coleção de ferramentas da **NSA**. Uma ferramenta, **Territorial Dispute**, parecia projetada para ajudar operadores da **NSA** a evitar conflitos com outras operações de hacking. Esta ferramenta listava espécimes de malware, incluindo o **Fast16**, com instruções sobre quando "recuar" para evitar detecção.