QLNX: RAT furtivo para Linux mira credenciais de desenvolvedores em ataques à cadeia de suprimentos de software
Um Trojan de Acesso Remoto (RAT) para Linux sofisticado e anteriormente indocumentado, apelidado de **Quasar Linux RAT (QLNX)**, está visando ativamente sistemas de desenvolvedores. Este malware visa estabelecer uma presença persistente e silenciosa, facilitando a coleta de credenciais, keylogging e outras atividades maliciosas, representando uma ameaça significativa à cadeia de suprimentos de software.

O **QLNX** tem como alvo desenvolvedores e ambientes DevOps, focando no roubo de credenciais cruciais para a cadeia de suprimentos de software. De acordo com os pesquisadores **Aliakbar Zahravi** e **Ahmed Mohamed Ibrahim** da **Trend Micro**, o objetivo principal do malware é obter acesso não autorizado a recursos sensíveis.
### Coleta de Credenciais
O coletor de credenciais do malware foi projetado para extrair segredos de arquivos de alto valor. Estes incluem:
* `.npmrc` (tokens npm)
* `.pypirc` (credenciais PyPI)
* `.git-credentials`
* `.aws/credentials`
* `.kube/config`
* `.docker/config.json`
* `.vault-token`
* Credenciais Terraform
* Tokens do GitHub CLI
* Arquivos `.env`
Uma violação bem-sucedida poderia permitir que atacantes enviassem pacotes maliciosos para os registros NPM ou PyPI, acessassem a infraestrutura em nuvem ou realizassem pivôs através de pipelines CI/CD.
### Furtividade e Persistência
O **QLNX** opera sem arquivos, diretamente da memória, disfarçando-se como uma thread do kernel (por exemplo, kworker ou ksoftirqd). Ele faz um perfil do host para detectar ambientes conteinerizados e apaga logs do sistema para evadir a detecção. O malware emprega sete mecanismos de persistência diferentes, incluindo systemd, crontab e injeção de shell em .bashrc.
### Comando e Controle
Após exfiltrar os dados coletados para infraestrutura controlada pelo atacante, o **QLNX** recebe comandos que permitem:
* Execução de comandos de shell
* Gerenciamento de arquivos
* Injeção de código em processos
* Captura de tela
* Keylogging
* Estabelecimento de proxy SOCKS e túnel TCP
* Execução de Beacon Object File (BOF)
* Gerenciamento de rede mesh peer-to-peer (P2P)
A comunicação com o servidor de comando e controle (C2) ocorre via TCP bruto, HTTPS e HTTP. O **QLNX** suporta 58 comandos distintos, concedendo aos operadores controle total sobre os hosts comprometidos.
### Backdoor PAM e Capacidades de Rootkit
O **QLNX** inclui um backdoor Pluggable Authentication Module (PAM) inline-hook, que intercepta credenciais em texto plano durante eventos de autenticação e registra dados de sessão SSH de saída. Esses dados são então transmitidos para o servidor C2. Um segundo logger de credenciais baseado em PAM é carregado automaticamente em todos os processos vinculados dinamicamente para extrair nomes de serviço, nomes de usuário e tokens de autenticação.
O malware utiliza uma arquitetura de rootkit de dois níveis. Um rootkit userland, implantado através do mecanismo `LD_PRELOAD` do linker dinâmico do Linux, oculta os artefatos e processos do implante. Um componente eBPF em nível de kernel oculta processos, arquivos e portas de rede das ferramentas padrão do userland (por exemplo, ps, ls, netstat) ao receber instruções do servidor C2.
### Implicações
A **Trend Micro** enfatiza que o **QLNX** foi projetado para furtividade de longo prazo e roubo de credenciais. Seu perigo reside na combinação coerente de capacidades, permitindo que ele chegue, se apague do disco, persista através de múltiplos mecanismos, se esconda em níveis de usuário e kernel, e colete credenciais críticas.