Serviço de Lavagem de Criptomoedas AudiA6 Desmantelado, Recuperados US$ 380 Milhões em Lucros de Ransomware
Agências de aplicação da lei em 11 países desmantelaram com sucesso o **AudiA6**, um importante serviço de lavagem de criptomoedas supostamente usado por operadores de ransomware e outros cibercriminosos para processar mais de US$ 380 milhões em fundos ilícitos. A operação, liderada pela **Europol** e **Eurojust**, representa um golpe significativo na infraestrutura financeira que sustenta o cibercrime em larga escala.
Forças policiais internacionais derrubaram o **AudiA6**, um sofisticado serviço de criptomoedas que atuava como um centro para lavar mais de US$ 380 milhões em lucros de ataques de ransomware e outros crimes cibernéticos.
A **Europol** confirmou que o serviço foi vinculado a mais de 15 investigações internacionais distintas sobre operações de ransomware, facilitando transações ilícitas entre 2022 e 2025.
"Investigadores descobriram o que descrevem como uma operação de lavagem de criptomoedas em escala industrial construída em torno de milhares de contas de câmbio fraudulentas abertas usando identidades roubadas ou compradas", declarou a **Europol**. "Análises conduzidas pela **Europol** vincularam o serviço criminoso a mais de 15 investigações em todo o mundo envolvendo ataques de ransomware e roubo de criptomoedas em larga escala."
### O Modus Operandi do AudiA6
O **AudiA6** era comercializado como um "serviço profissional de mistura de criptomoedas". Na realidade, ele aceitava os lucros do cibercrime, obscurecia sua origem através de rotas de transação complexas e devolvia fundos "limpos" aos criminosos em aproximadamente uma hora. Este serviço tinha uma comissão de 3-10%.
Relatórios anteriores de empresas de segurança como **Intel471** e do investigador de blockchain **ZachXBT** já haviam exposto o **AudiA6** por seu papel em viabilizar atividades financeiras ilegais.
### Um Esforço Colaborativo Global
A bem-sucedida operação de desmantelamento envolveu autoridades de 11 países da Europa, América e Ásia, com o apoio da **Europol** e **Eurojust**.
O avanço ocorreu em setembro de 2025 com a prisão de um cidadão ucraniano na Polônia, que foi vinculado ao **AudiA6**. O exame forense dos dispositivos do suspeito forneceu inteligência crucial, levando os investigadores a indivíduos-chave por trás da operação.
Essa inteligência culminou em prisões na Geórgia, visando os supostos administradores do serviço.
### Resultados Operacionais
A ação coordenada de ontem resultou em apreensões e prisões significativas:
* Dois indivíduos presos na Geórgia.
* Três propriedades revistadas.
* 25 domínios apreendidos.
* 80 veículos e propriedades apreendidos.
* € 86.000 (aproximadamente US$ 99.000) em criptomoedas apreendidas.
* € 692.000 (aproximadamente US$ 798.000) em criptomoedas congeladas.
* Contas do Telegram usadas pela rede bloqueadas.

Os dois indivíduos presos, identificados como um cidadão ucraniano e um russo, são acreditados como administradores não apenas do **AudiA6**, mas também do fórum underground **Dark2Web**, uma plataforma onde cibercriminosos anunciavam serviços ilícitos. Tanto os sites do **AudiA6** quanto do **Dark2Web** agora exibem avisos de apreensão.
### Acusações e Revelações Adicionais
O **Departamento de Justiça dos EUA (U.S. Department of Justice)** nomeou **Ruslan Igorevich Tkachuk** (37) e **Alexander Vladimirovich Ledenev** (25) como membros seniores da plataforma **AudiA6**. Eles estão atualmente sob custódia das autoridades georgianas e enfrentam sentenças potenciais de até 20 anos de prisão por seu papel na facilitação da lavagem de dinheiro do cibercrime.
O **DoJ** declarou: "Dos aproximadamente 10.333 bitcoins depositados, aproximadamente 393,39 BTC (avaliados em cerca de US$ 19.234.331 no momento das transações) foram recebidos diretamente de mercados conhecidos da darknet, organizações de ransomware, serviços de cibercrime e outras fontes ilícitas, enquanto fundos adicionais foram depositados indiretamente de fontes ilícitas em carteiras do **AudiA6**."
Além dos administradores, as autoridades também recuperaram 6.000 registros de 'Know-Your-Customer' (KYC) vinculados a contas de mulas de dinheiro. A **Europol** indicou que essas contas foram criadas usando identidades roubadas ou compradas, frequentemente recrutadas por intermediários de língua russa. Essa extensa rede de mulas de dinheiro utilizou múltiplos domínios para registrar contas em exchanges de criptomoedas, informação que a **Europol** disseminou para ajudar as plataformas a bloqueá-las e fortalecer suas defesas contra atividades ilícitas semelhantes.