Suprema Corte Decidirá sobre Mandados de Geofencing: Um Momento Crucial para a Privacidade Digital
A Suprema Corte está prestes a emitir uma decisão histórica sobre a legalidade dos mandados de geofencing, potencialmente remodelando a forma como as autoridades interagem com empresas de tecnologia. A decisão determinará se esses mandados, que obrigam empresas de tecnologia a divulgar dados de localização de indivíduos em uma área específica, violam a proteção da Quarta Emenda contra buscas irracionais.
A Suprema Corte está atualmente avaliando um caso que pode remodelar como as autoridades trabalham com empresas de tecnologia para identificar potenciais suspeitos. Nas próximas semanas, espera-se que o tribunal decida se os chamados mandados de geofencing são legais sob a Quarta Emenda, que proíbe buscas e apreensões irracionais e estabelece requisitos para a emissão de mandados.
**Mandados de Geofencing Sob Escrutínio**
O advogado **Adam Unikowsky** argumentou o caso no mês passado em nome do peticionário **Okello Chatrie**, que foi acusado de roubo após as autoridades obterem um mandado de geofencing direcionado ao **Google**. Sob tais mandados, empresas de tecnologia são solicitadas a fornecer às autoridades o histórico de localização de pessoas em uma determinada área para que possam identificar suspeitos desconhecidos, e o Google informou que recebeu mandados de geofencing cobrindo áreas excepcionalmente grandes por vários dias.
Este caso marca a primeira questão de privacidade digital a chegar à Suprema Corte desde 2018 e pode impactar significativamente outras ferramentas policiais que envolvem grandes conjuntos de dados. Unikowsky discutiu com a Recorded Future News por que ele acredita que as buscas por geofencing são problemáticas, como as pessoas muitas vezes entendem mal o que estão consentindo e como a decisão do tribunal pode afetar dramaticamente o direito à privacidade dos americanos.
*Esta entrevista foi editada para fins de extensão e clareza.*
**A Importância do Caso Chatrie**
**Recorded Future News:** O caso Chatrie é o primeiro caso de privacidade digital, bem como o primeiro caso da Quarta Emenda, a chegar à Suprema Corte desde uma decisão em 2018 que limitou o uso policial de dados históricos de localização de torres de celular. Por que você vê o caso Chatrie como importante?
**Adam Unikowsky:** A Suprema Corte não ouviu um caso sobre privacidade digital em vários anos, e o caso **Carpenter** — que você mencionou de 2018 — deixou muitas questões em aberto. Deixou questões sobre o que constitui uma busca que requer um mandado em aberto e também deixou questões em aberto sobre exatamente que tipos de mandados poderiam ser emitidos.
O caso Chatrie envolve um novo tipo de mandado chamado mandado de geofencing, que é um tipo de mandado chamado mandado reverso. Começou em uma situação em que a polícia não tinha suspeitos e usou o mandado para encontrar o suspeito, em oposição a um mandado tradicional que se concentra em revistar um suspeito específico. O caso apresenta muitas questões que casos anteriores da Suprema Corte não abordaram, mas que são importantes para as técnicas modernas de aplicação da lei.
**Potencial Expansão para Buscas Reversas**
**RFN:** Alguns acadêmicos jurídicos acreditam que, dependendo de como o tribunal decidir, isso pode levar a um aumento nas buscas reversas — por exemplo, buscas reversas por palavras-chave, onde a polícia pode ver todos que pesquisaram em navegadores da web por palavras-chave específicas.
**AU:** A decisão do tribunal pode abordar a constitucionalidade de buscas reversas por palavras-chave, bem como buscas reversas por IA. Em outras palavras, buscas nas quais a polícia verifica a conta do Google de todas as pessoas em relação a quais pessoas pesquisam um termo de busca particular que parece relevante para um crime que estão investigando ou pesquisam os chats de IA de todos em busca de perguntas que sejam probatórias de se uma pessoa cometeu um crime específico. Uma das questões no caso é se esse tipo de mandado — que permite que as contas de todos sejam pesquisadas — é consistente com a Quarta Emenda, e se for, exatamente quão amplamente ou quão restritamente tais mandados devem ser elaborados.
**A Questão da Redação Constitucional**
**RFN:** O acadêmico jurídico de privacidade digital e da Quarta Emenda, **Orin Kerr**, disse que acredita que os juízes provavelmente concluirão que os mandados de geofencing podem ser redigidos constitucionalmente, mas também dirão que eles precisam ser limitados em tempo e espaço. Você concorda com isso?
**AU:** Não vou especular sobre como o tribunal decidirá sobre o argumento oral. Direi que colocamos uma série de argumentos na mesa. Um desses argumentos foi que o mandado de geofencing era um mandado geral porque autorizava indevidamente a polícia a revistar a conta de todas as pessoas. Também apresentamos argumentos mais restritos, como o fato de que o geofencing era excessivamente amplo porque abrangia um banco e a igreja por um período de uma hora e não havia causa provável para revistar o que entendemos serem os papéis privados virtuais de todas as pessoas na igreja e de todas as pessoas no banco meramente por sua proximidade com o crime.
**O Escopo dos Mandados de Geofencing**
**RFN:** Se os juízes estabelecerem parâmetros rigorosos sobre quão específicos os mandados de geofencing precisam ser no futuro, isso é uma vitória? O mandado de geofencing neste caso cobriu um raio de 150 metros e aproximadamente 17,5 acres. Em seu breve amicus, o Google apontou que recebeu mandados de geofencing para áreas tão grandes quanto uma que cobria 2,5 milhas quadradas de São Francisco por mais de 48 horas.
**AU:** Em última análise, nosso objetivo é que o tribunal decida que houve uma violação da Quarta Emenda. Temos vários argumentos. Acho que esses tipos de mandados muito amplos são muito preocupantes. Portanto, se fosse o caso de o tribunal decidir que os mandados de geofencing são, em alguns casos, constitucionais — e não vou especular se eles chegarão ou não a essa conclusão — eu favoreceria uma regra sob a qual quaisquer mandados de geofencing teriam que ser elaborados de forma restrita e não tão amplamente a ponto de abranger potencialmente milhares de pessoas.
**As Implicações Além do Google**
**RFN:** O juiz Alito apontou que o Google não armazena mais o histórico de localização e não pode mais cumprir esses mandados. Mas vários outros sites e aplicativos coletam e armazenam o histórico de localização. É moot que o Google não o armazene mais porque essa decisão se aplicaria a todos os outros serviços online?
**AU:** A decisão teria implicações mais amplas do que apenas o Google. Este caso em particular envolveu a busca em servidores do Google, mas a coleta de informações de localização é uma prática ubíqua. Este caso atraiu muita atenção da comunidade de tecnologia. Foram apresentados quase 30 briefs amicus, então obviamente muitas pessoas acham que esta é uma questão importante e viva, independentemente das próprias práticas de negócios do Google.
**Mandados Gerais e a Quarta Emenda**
**RFN:** Você argumentou que o mandado de geofencing neste caso se qualifica como um mandado geral, e estes são inconstitucionais. Mas a juíza Sotomayor disse que discorda porque identificou um local, um crime e um período de tempo limitado. Por que você acredita que é um mandado geral e por que os mandados gerais são inconstitucionais?
**AU:** Não vou especular sobre a visão da juíza Sotomayor sobre o caso, mas apenas explicarei o argumento que estávamos fazendo. Um mandado geral é um mandado que permite à polícia revistar todos em busca de evidências de um crime, mesmo pessoas que não são suspeitas de cometer um crime.
Esta é uma prática que existia antes da Declaração de Independência e era verdadeiramente odiada pelos colonos. A polícia desenvolvia a suspeita de que as pessoas não estavam pagando impostos e simplesmente invadia a casa de todas as pessoas e tentava encontrar bens sobre os quais os impostos não haviam sido pagos, ou vasculhava os papéis de todas as pessoas sem suspeita individualizada. Um mandado geral é um termo para um mandado que não é particularizado, que não nomeia o local a ser revistado e as coisas a serem apreendidas. Ele apenas concede autoridade geral à polícia para vasculhar os pertences das pessoas.
Neste caso, um dos argumentos que apresentamos é que a polícia está efetivamente revistando a conta do Google de todas as pessoas para descobrir quem estava dentro da área particular. A maneira como essas buscas funcionam é que a polícia vai ao Google e diz ao Google: 'Ei, queremos que você descubra todas as pessoas que estavam dentro do geofencing', que é uma busca perto do tempo e local do crime. Todos têm uma conta do Google que armazena seus dados de localização em sua própria conta, portanto, não há como o Google identificar as pessoas que estão perto da cena do crime, a menos que revistem a conta de todas as pessoas para encontrar o histórico de localização que está dentro do geofencing.
Entendemos que o mandado para revistar a conta do Google de todas as pessoas, e estamos falando de dezenas de milhões aqui, é semelhante a um mandado geral, que autorizava a busca de milhares de casas em busca de evidências. Este argumento se baseia em dois pontos. Um é que o Google, ao realizar a busca, está agindo como um agente do governo, o que acreditamos que está fazendo porque está executando um mandado de busca. Segundo, espiar dentro da conta de alguém é equivalente a uma busca na conta.
**Potencial Expansão para Outros Dados**
**RFN:** Pareceu que alguns dos juízes concordam com o seu argumento de que, se as buscas de histórico de localização forem permitidas, então buscas de todos os tipos de coisas armazenadas na nuvem, como fotos, e-mails e documentos, poderiam ser permitidas. Por que você acha que, se o tribunal permitir mandados de geofencing, isso poderia se estender a outros conteúdos, como fotos, documentos e e-mails?
**AU:** Vários dos argumentos que o governo estava apresentando se aplicariam com força idêntica a e-mails e documentos. O governo se baseou na linguagem da política de privacidade do Google, por exemplo, dizendo que o Google se reserva o direito de responder a mandados de busca e que o Google, em alguns casos, poderia divulgar [dados do usuário] para fins de segurança pública. O governo interpretou algumas dessas declarações na política de privacidade para implicar que as pessoas essencialmente haviam renunciado a qualquer interesse nos dados e, portanto, o acesso do governo aos dados nos servidores do Google não era uma busca de forma alguma.
Mas essas declarações de política de privacidade se aplicam a todos os dados armazenados no Google, não apenas ao histórico de localização. Aplica-se também a e-mails, documentos, fotos e entradas de calendário, portanto, como resultado, muitos dos argumentos do governo realmente implicariam que não há proteção para os dados em