TikTok Remove Redes de Influência Ocultas que Visavam Eleições Húngaras
O **TikTok** removeu múltiplas redes de influência ocultas que tentavam influenciar o resultado das próximas eleições parlamentares da Hungria. As redes usaram contas falsas para postar e amplificar conteúdo político direcionado a usuários húngaros, destacando as crescentes preocupações sobre campanhas de desinformação que visam eleições em todo o mundo.
Dias antes das eleições parlamentares da Hungria, o **TikTok** anunciou ter desmantelado redes ocultas projetadas para influenciar o voto. A gigante das redes sociais declarou que essas redes utilizaram contas falsas para disseminar e amplificar conteúdo político direcionado a usuários húngaros.
**Alvos de Desinformação**
O conteúdo incluía material crítico ao líder da oposição **Péter Magyar** e seu **Tisza Party**, bem como conteúdo direcionado ao partido governante **Fidesz** do Primeiro-Ministro **Viktor Orbán**. O **TikTok** relatou a remoção de centenas de contas falsas e milhares de vídeos que violaram suas políticas eleitorais.
Desde dezembro, o **TikTok** baniu mais de 300 contas por se passarem por candidatos eleitorais e funcionários eleitos húngaros. Eles também tomaram medidas contra seis redes de influência ocultas. A maioria dessas redes, de acordo com o **TikTok**, espalhou narrativas favoráveis ao partido político **Fidesz**, enquanto redes menores visaram o público húngaro com narrativas críticas ao **Fidesz** e a **Orbán**.
**Contexto Eleitoral**
Essas divulgações ocorrem enquanto a campanha entra em sua fase final. Analistas afirmam que esta eleição pode remodelar a posição da Hungria dentro da **União Europeia** e influenciar a unidade ocidental em relação à guerra da Rússia na Ucrânia.
**Orbán**, no poder desde 2010, enfrenta um desafio eleitoral significativo. **Magyar**, um ex-membro do **Fidesz**, conquistou apoio entre os eleitores da oposição e lidera em algumas pesquisas pré-eleitorais. Mais de um quarto dos eleitores permanecem indecisos.
**Táticas de Desinformação**
Verificadores de fatos e pesquisadores húngaros observaram a ampla circulação de conteúdo político enganoso ou fabricado, muitas vezes visando **Magyar**. O **Lakmusz**, um veículo de verificação de fatos, detalhou narrativas falsas sobre o líder da oposição aparecendo em sites falsos que se passavam por fontes legítimas, incluindo alegações de que ele planeja um "golpe" se for derrotado e que seu partido restabeleceria o serviço militar obrigatório.
**Possível Influência Russa**
O **Lakmusz** notou semelhanças com operações de influência anteriores ligadas a atores russos, incluindo mensagens coordenadas e o uso de infraestrutura online enganosa. No entanto, eles não apresentaram evidências diretas de que a atividade atual foi dirigida pelo Kremlin.
**Visando o Tisza Party**
Separadamente, o **Direkt36** relatou uma "operação bem organizada" visando os sistemas de TI do **Tisza Party**. Indivíduos ligados ao partido tentaram expor a atividade, após o que as autoridades abriram uma investigação criminal contra esses indivíduos e realizaram buscas nas casas de especialistas em TI que auxiliavam o partido.
As autoridades húngaras não detalharam publicamente a base completa para a investigação. O porta-voz do governo **Zoltán Kovács** alegou nas redes sociais que a inteligência ucraniana, em cooperação com membros da oposição e um jornalista, era responsável, sem fornecer evidências. O Exército de TI da Ucrânia negou todas as alegações de envolvimento.
**Acusações Contra Plataformas de Mídia Social**
O chefe de campanha do partido **Fidesz**, **Balázs Orbán**, acusou as plataformas de mídia social de suprimir materiais de campanha, alegando que "alguns usuários não conseguiram curtir conteúdo relacionado ao Fidesz no **Facebook** nos últimos dias", conforme relatado pelo Euro News. Verificadores de fatos contestaram suas alegações.
**Outras Atividades de Influência**
O veículo independente **Telex** identificou redes de "fazendas de trolls" apoiando o **Fidesz**, enquanto grupos domésticos críticos a **Orbán** disseram ter rastreado conteúdo gerado por IA visando a oposição.
Um porta-voz da **Meta** declarou que "não impôs restrições às contas do Primeiro-Ministro, nem nenhum post foi removido. Nossos Padrões da Comunidade e políticas se aplicam igualmente a todos e temos sistemas em vigor para detectar quaisquer esforços coordenados para abusar de nossos sistemas de denúncia."
**Alegações de Influência Estrangeira**
Durante uma visita a Budapeste, o Vice-Presidente dos EUA, **JD Vance**, acusou a **União Europeia** de interferir nas eleições da Hungria e expressou apoio a **Orbán**, atraindo críticas de figuras da oposição.
Oficiais húngaros e vozes pró-governo acusaram instituições da UE e atores ocidentais de tentar moldar a direção política da Hungria.
**Hungria e Rússia**
A relação da Hungria com a Rússia tornou-se uma questão central. **Orbán** manteve laços políticos e econômicos mais estreitos com Moscou do que a maioria dos líderes da UE, incluindo acordos de energia de longo prazo, e se opôs a algumas medidas da UE em apoio à Ucrânia.
Relatórios recentes indicam que a Hungria e a Rússia concordaram com um plano de 12 pontos cobrindo áreas como energia, educação e laços culturais, sublinhando a importância estratégica que ambos os lados atribuem ao relacionamento, de acordo com o **Politico**.
O The New York Times relatou que a posição de Orbán sobre a Rússia e a guerra na Ucrânia se tornou uma linha divisória definidora na campanha.
Os húngaros vão às urnas no domingo.